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Doença de Parkinson, o que é e como tratar

  • Foto do escritor: Dr João Bosco
    Dr João Bosco
  • 18 de set. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 23 de nov. de 2025


A população mundial apresentou um crescente processo de envelhecimento nas últimas décadas, o que tornou a área da geriatria um campo importante de pesquisas e intervenções. No Brasil, particularmente, a população idosa se destaca, pois de acordo com o último censo realizado, o país se encontra entre aqueles com maior população de idosos no mundo.

Com o envelhecimento, há uma maior prevalência de doenças neurodegenerativas, como a de Parkinson, que afeta a funcionalidade dessa população. Sendo uma das doenças mais prevalentes em todo o mundo, pois acomete cerca de 7 a 10 milhões de pessoas .

Um número crescente de publicações científicas de alta qualidade vêm demonstrando que exercícios de reabilitação do tipo treinamento resistido , também chamado de treinamento de força ou , mais conhecidamente , musculação, apresentam resultados muito satisfatórios nas melhoria dos sintomas relacionados à motricidade e ao desempenho neuromuscular.


O Envelhecimento e as Doenças Neurodegenerativas


Organização Mundial de Saúde define que , em países subdesenvolvidos, a população idosa é aquela com idade igual ou superior a 60 anos , enquanto em países desenvolvidos a faixa etária é de 65 anos ou mais .Sabe que o envelhecimento é um processo complexo , multifatorial e irreversível.

Sua primeira descrição em 1817 por James Parkinson, e se caracteriza por ser uma doença progressiva e polissintomática na qual os acometidos podem desenvolver alterações cognitivas, comportamentais e de humor, perdas de função física, além de demência que ocorre em aproximadamente 25 % dos indivíduos afetados.

Essas alterações se iniciam de forma lenta e gradual e tendem a se agravar com o tempo, o que pode reduzir progressivamente a independência funcional do idoso. Juntamente com o envelhecimento, a genética, o ambiente e o estado imunitário, o papel do sexo biológico como fator importante no desenvolvimento da doença de Parkinson tem sido discutido na última década.

Existem características claras relacionadas ao sexo nas características epidemiológicas e clínicas da doença, onde observa-se que a doença afeta os homens com uma frequência duas x maior do que as mulheres, mas as mulheres têm uma taxa de mortalidade mais alta e uma progressão mais rápida da doença.


A fisiopatologia da doença

É caracterizada por perda seletiva de neurônios dopaminérgicos localizados na região do mesencéfalo, na região denominada substância negra , o que leva a redução dós níveis dopamina m um importante neurotransmissor dá modulação neural .A marca histopatológica da doença é o desenvolvimento de inclusões citoplasmáticas conhecidas como corpos de Lewy, agregados proteicos que se concentram principalmente na substância negra ,medula espinhal e no sistema nervoso periférico .


Como a bradicinesia, são considerados déficits de movimento típicos da doença, podem ser definidas como velocidade e amplitude de movimento diminuídas, presente na fase inicial em até 80 % dos pacientes. No que diz respeito aos tremores de repouso, frequentemente considerado um sinal patognomônico, pode afetar de 30 a 50 % dos pacientes, geralmente como o primeiro sintoma desenvolvido. Normalmente o tremor é assimétrico, acometendo um lado do corpo, geralmente as mãos, e com a passar dos anos pode afetar o outro lado do corpo.

No que diz respeito à instabilidade postural, sintoma frequente nos estágios mais avançados da doença, evidências científicas a apontam como sendo o resultado do processamento deficiente de entradas sensoriais e de respostas antecipatórias, perturbações da propriocepção, estabilidade reduzida e incapacidade de equilíbrio adequado. A literatura revela ainda que a força e a potência muscular são reduzidas nas pessoas com a doença de Parkinson em comparação com indivíduos da mesma idade ou mais velhos e saudáveis .

Além dos sintomas descritos, a fadiga , definida como cansaço extremo e persistente, fraqueza ou exaustão mental e/ou física é um dos principais sintomas associados e um dos mais incapacitantes que , adicionado ao comprometimento do equilíbrio, aumenta a dificuldade de desempenho da marcha e leva a deficiência e consequente perda da independência funcional do idoso . Os sintomas não motores, afetam a qualidade de vida dos acometidos de forma significativa, devido que a neurodegeneração também pode ocorrer em outras áreas do cérebro, como nos centros de controle autônomo, produzindo alterações deletérias das modulações de vias e transmissões simpáticas e parasimpáticas.


Os sintomas não motores

  Os sintomas não motores mais comuns que afetam a qualidade de vida são:

  • Fadiga

  • Ansiedade

  • Dores nas pernas

  • Urgência e nictúria

  • Sialorreia

  • Dificuldade em manter a concentração

Há um consenso que o exercício físico pode melhorar o controle dos sintomas, atrasar a progressão da doença, melhorar a função fisiológica e estrutural do cérebro humano, melhorando assim, a qualidade de vida e independência funcional dos pacientes. Diversos estudos vêm descosturando que o exercício resistido, treinamento de força, musculação, apresentam resultados satisfatórios na melhora dos sintomas de motricidade e desempenho neuromuscular, bem como em sintomas não motores, além de de promover um impacto positivo na qualidade de vida dos idosos.



O tratamento da doença de Parkinson

Embora não tenha cura, há várias opções de tratamento, incluindo medicações e cirurgia. Terapias medicamentosas tais como:

  • Medicamentos dopaminérgicos (levodopa)

  • Inibidor de descarboxilase

  • Agonistas de dopamina

  • Anticolinérgicos

  • Inibidores de MAO – B

  • Inibidores de COMT

Embora os medicamentos para a doença de Parkinson possam ser usados para melhorar a função motora, eles podem perder sua eficiência com o tempo, causar efeitos colaterais ou ambos. Além disso, conforme a doença avança, os níveis de medicações exigidos para o controle da função motora podem causas efeitos colaterais intoleráveis e indesejáveis. A terapia de estipulação cerebral profunda (ECP) é uma terapia de estimulação cerebral que oferece um tratamento ajustável e, se necessário, reversível para a doença de Parkinson. A terapia usa um dispositivo médico implantado, semelhante a um marca-passo, que cria uma estimulação elétrica em regiões precisamente específicas do cérebro. A estimulação dessas regiões permite que os circuitos do cérebro que controlam o movimento funcionem melhor.





 
 
 

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