Alzheimer : No Brasil, mais de 1 milhão de pessoas vivem com alguma forma de demência.
- Dr João Bosco

- 18 de set. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 23 de nov. de 2025

Um diagnóstico de Alzheimer muda a vida da pessoa portadora da doença, além da vida de seus familiares e amigos. Atualmente há informações e suporte disponíveis e ninguém precisa enfrentar a doença ou qualquer outra demência sozinha. O Alzheimer é o tipo de demência mais comum e também é um termo geral usado para descrever as condições que ocorrem quando o cérebro não mais consegue funcionar corretamente.
O Alzheimer causa problemas na memória, pensamento e comportamento. Nos estágios iniciais, os sintomas de demência podem ser mínimos, mas pioram conforme a doença causa mais danos ao cérebro. A taxa de progresso é variável conforme a pessoa, contudo, pessoas portadoras da doença vivem em média até oito anos após o início dos sintomas.
Apesar de não haver atualmente tratamentos que impeçam o progresso da doença de Alzheimer, há medicamentos para tratar os sintomas de demência. Nas últimas três décadas, as pesquisas sobre demência proporcionaram uma compreensão muito mais profunda sobre como o Alzheimer afeta o cérebro.
Hoje em dia, os pesquisadores continuam a buscar tratamentos mais eficientes e a cura, além de formas para impedir a doença e melhorar a saúde cerebral. Problemas com a memória, dificuldade principalmente em lembrar informações recentemente aprendidas, são normalmente os primeiros sintomas da doença.

Conforme envelhecemos, nossos cérebros mudam e podemos ocasionalmente apresentar dificuldades para lembrar alguns detalhes. No entanto, a doença de Alzheimer e outras demências causam uma perda de memória e outros sintomas significativos o suficiente para interferir com a vida diária das pessoas. Esses sintomas não são naturais do envelhecimento. Além da perda de memória, os sintomas incluem:
Problemas para completar tarefas que antes eram fáceis.
Dificuldades para a resolução de problemas.
Mudanças no humor ou personalidade; afastamento de amigos e familiares.
Problemas com a comunicação, tanto escrita como falada.
Confusão sobre locais, pessoas e eventos.
Alterações visuais, como problemas para entender imagens.
Familiares e amigos podem notar os sintomas dessa doença e de outras demências progressivas antes da pessoa que está passando por essas mudanças. Se você, ou alguém que você conhece, está sentindo os possíveis sintomas de demência, é importante buscar uma avaliação médica para encontrar a causa desses sintomas.
As células do cérebro no hipocampo, uma parte do cérebro associada com o aprendizado, são normalmente as primeiras a serem danificadas pela demência. É por isso que a perda de memória, principalmente a dificuldade em lembrar informações recentemente aprendidas, é normalmente o primeiro sintoma da doença.
IDADE:
O avanço da idade é o maior fator de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. A maioria das pessoas diagnosticadas com Alzheimer tem 65 anos de idade ou mais. Apesar de muito menos comum, o Alzheimer prematuro pode afetar pessoas com idade inferior a 65 anos. Estima-se que até 5 por cento das pessoas portadoras de Alzheimer tiveram a doença prematuramente. O Alzheimer prematuro é normalmente diagnosticado de forma errada.
HISTÓRICO FAMILIAR:
Se os seus pais ou irmãos desenvolverem Alzheimer, você tem uma maior probabilidade de também desenvolver a doença do que alguém que não tenha um parente de primeiro grau portador de Alzheimer. Os cientistas não compreendem completamente o que causa o Alzheimer nas famílias, mas fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida podem influenciar.
GENÉTICA:
Os pesquisadores identificaram diversas variações genéticas que aumentam as chances do desenvolvimento da doença de Alzheimer. O gene APOE-e4 é o gene de risco mais comum associado ao Alzheimer; estima-se que ele influencie até 25% dos casos de Alzheimer. Os genes determinísticos são diferentes dos genes de risco, pois eles garantem que a pessoa desenvolverá a doença. A única causa conhecida do Alzheimer é herdando um gene determinístico. O Alzheimer causado por um gene determinístico é raro, e ocorre possivelmente em menos de 1% dos casos de Alzheimer. Quando um gene determinístico causa Alzheimer, recebe o nome de “doença autossômica dominante de Alzheimer (ADAD, na sigla em inglês).
DOENÇA CARDIOVASCULAR:
As pesquisas sugerem que a saúde do cérebro está fortemente relacionada com a saúde do coração e dos vasos sanguíneos. O cérebro obtém do sangue o oxigênio e nutrientes necessários para o seu funcionamento normal, e o coração é o responsável por bombear sangue para o cérebro. Portanto, fatores que causam doenças cardiovasculares também podem estar relacionados com um maior risco de desenvolvimento de Alzheimer e outras demências, incluindo fumar, obesidade, diabetes, alto colesterol e alta pressão sanguínea na meia-idade.
EDUCAÇÃO E ALZHEIMER:
Estudos associaram menos anos de educação formal com um maior risco de Alzheimer e outras demências. Não há um motivo claro para essa associação, mas alguns cientistas acreditam que mais anos de educação formal podem ajudar a aumentar as conexões entre os neurônios, permitindo ao cérebro o uso de rotas alternativas de comunicação entre os neurônios ao ocorrerem mudanças relacionadas com o Alzheimer e outras demências.

Não existe um simples exame que indique se a pessoa é portadora de Alzheimer. O diagnóstico requer uma ampla avaliação médica, a qual pode incluir:
Histórico médico da sua família
Exame neurológico
Testes cognitivos para avaliar a memória e o pensamento
Exame de sangue (para descartar quaisquer outras possíveis causas dos sintomas)
Imagiologia cerebral
Apesar de os médicos normalmente conseguirem determinar se a pessoa é portadora de demência, pode ser mais difícil distinguir o tipo da demência. Erros de diagnósticos são mais comuns em Alzheimer prematuro. Receber um diagnóstico preciso durante a fase inicial da doença é importante, pois permite:
Uma maior probabilidade de se beneficiar dos tratamentos disponíveis, os quais podem melhorar a qualidade de vida
A oportunidade de receber serviços de ajuda
Uma oportunidade de participar de testes e estudos clínicos
Uma oportunidade de expressar desejos pessoais em relação aos cuidados e vida futura
Colocar planos legais e financeiros em ordem
Embora atualmente não existam tratamentos disponíveis para impedir ou diminuir o ritmo dos danos cerebrais causados pela doença de Alzheimer, diversos medicamentos podem ajudar a melhorar temporariamente os sintomas de demência em algumas pessoas. Esses medicamentos funcionam aumentando os neurotransmissores no cérebro.
Os pesquisadores continuam a buscar formas de melhor tratar esta doença e outras demências progressivas. Atualmente, estão em andamento dezenas de terapias e tratamentos farmacológicos com foco em impedir a morte das células cerebrais associadas ao Alzheimer. Além disso, o uso de sistemas de apoio e intervenções comportamentais não farmacológicas pode melhorar a qualidade de vida das pessoas portadoras de demência e de seus cuidadores e familiares. Isso inclui:
Tratamento de condições médicas coexistentes
Coordenação dos cuidados entre profissionais da saúde
Participação em atividades, o que pode melhorar o humor
Intervenções comportamentais (para ajudar com as mudanças comportamentais comuns, como agressão, insônia e agitação)
Educação sobre a doença
Criação de uma equipe de cuidados para suporte

Cuidar de alguém com a doença de Alzheimer ou outra demência pode ser tanto gratificante como desafiador. Nos estágios iniciais da demência, a pessoa pode permanecer independente e necessitar de muito pouco cuidado. No entanto, conforme a doença progride, os cuidados precisarão ser intensificados, finalmente resultando na necessidade de assistência em todos os momentos.




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